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Cannabis no SUS: As Farmácias Vivas!

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  Existe uma oportunidade histórica batendo à nossa porta. Com as novas regras da Anvisa e mudanças em leis estratégicas, o Brasil pode finalmente permitir que o remédio à base de cannabis seja produzido por quem entende de plantio: o agricultor familiar. O segredo para isso acontecer de forma pública e gratuita atende pelo nome de Farmácias Vivas . As Farmácias Vivas são unidades que utilizam plantas medicinais para produzir e distribuir fitoterápicos para a população. Agora, imagine se a cannabis, em vez de ser importada a preços abusivos, fosse cultivada por associações locais e preparada dentro dessas unidades públicas. Isso não é apenas um sonho; é um caminho jurídico que já começou a ser desenhado. As Leis que Mudam o Jogo Para que isso vire realidade, usamos duas leis como ferramentas de defesa. A primeira é a Lei 11.326/2006 , que define quem é o agricultor familiar. A segunda, e mais importante agora, é a Lei 14.628/2023 , que reformulou o Programa de Aquisição de Alimento...

Por Que a RDC 660 se Tornou a Armadilha da Saúde Canábica no Brasil

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A paisagem regulatória brasileira para o uso de substâncias derivadas da Cannabis atravessa um momento de contradições profundas. De um lado, celebramos as conquistas históricas de 2026, materializadas no robusto pacote das RDCs 1.012 a 1.015, que finalmente estruturaram o cultivo nacional e a manipulação magistral sob um rigor farmacêutico exemplar. De outro, assistimos à manutenção de um anacronismo perigoso: a RDC 660/2022. O que outrora foi uma via de acesso urgente e humanitária, hoje se configura como um "puxadinho" normativo que fragiliza a segurança sanitária e perpetua uma lógica colonialista no mercado de saúde brasileiro. O Abismo de Rigor: Padrão Ouro vs. Escolha do Paciente A disparidade entre os regimes de controle é alarmante. A recém-atualizada normativa para o mercado interno, agora consolidada na RDC 1.015/26, exige das empresas nacionais e das farmácias de manipulação o cumprimento estrito das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Estamos falando de controle d...

Tá liberado prescrever flores?

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É um fato concreto: as pessoas utilizam substâncias independentemente de políticas proibicionistas. A proibição, longe de extinguir o consumo, atua como um vetor de vulnerabilidade. Adultos com autonomia e responsáveis pelas próprias escolhas utilizam as mais diversas formas de estimular o próprio corpo, incluindo o uso da planta de forma inalada. Ao buscar o acesso em um mercado paralelo faccionado, os usuários são compulsoriamente expostos a riscos que transcendem a saúde biológica. O processo de aquisição, marcado pela clandestinidade e pela ausência de padronização, gera quadros profundos de medo e ansiedade. Essa insegurança é potencializada pela falta de controle sobre a qualidade e a concentração do que se consome, expondo o indivíduo a reações físicas imprevistas, como crises de taquicardia e pânico, que são reflexos diretos das imposições do proibicionismo. Entre o Ritual Ancestral e a Pragmática da Sobrevivência: A Redução de Danos na Inalação de Substâncias A história do cui...

Cultivar a Vida! Cannabis liberada, será? Silêncio sobre o Quintal

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      O cenário regulatório da cannabis no Brasil acaba de ganhar um capítulo decisivo, desenhado com a precisão de quem compreende que a técnica deve, obrigatoriamente, servir à dignidade humana. Na última reunião da Anvisa, o voto do Diretor Thiago Campos não foi meramente uma decisão administrativa; configurou-se como uma resposta institucional ao chamado do Judiciário e da sociedade civil. Ao fundamentar sua decisão no Incidente de Assunção de Competência nº 16 (IAC 16) do Superior Tribunal de Justiça, o Diretor reconheceu que o Estado, através da ANVISA não pode mais se esquivar de sua responsabilidade técnica e política. A Justiça como Semente: O Fim do Impasse Jurídico      O ponto de partida é um reconhecimento histórico. Sob a relatoria da Ministra Regina Helena Costa, o STJ validou o que a ciência já gritava: a possibilidade jurídica do cultivo de cannabis com baixo teor de THC — o cânhamo — para fins estritamente medicinais e ...

O Poder do Coletivo: As Associações como Pilares do Acesso a Cannabis no Brasil

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       A história da regulamentação da Cannabis no Brasil não começou em um fórum técnico, mas na coragem de famílias que, diante da dor e da omissão estatal, decidiram que a vida não poderia esperar.       Na última reunião da Anvisa, as vozes das associações ecoaram não como pedidos de socorro, mas como afirmações de organização coletiva e resiliência social. Elas deixaram de ser um "arranjo social" para se tornarem o alicerce de um modelo de saúde participativo e comunitário. Da Omissão ao Protagonismo Técnico      O reconhecimento do "Sandbox Regulatório" — um ambiente experimental para grupos sem fins lucrativos — é a prova de que a Anvisa finalmente reconheceu a realidade nacional, como sugerido na citação de José Saramago trazida pelo Diretor Thiago Campos. Associações como a Cultive e a Apepi lembraram ao colegiado que o associativismo nasceu de um "estado de necessidade".    ...

O Vazio Regulatório: Quando o Direito à Saúde Não Alcança o Jardim

A recente reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa em janeiro de 2026 desenhou um mapa para o futuro da cannabis no Brasil: o caminho é industrial, rastreável e altamente regulado. Ao consolidar o cultivo para fins medicinais sob o rigor de Autorizações Especiais (AE) e georreferenciamento, a agência enviou uma mensagem clara sobre quem são os convidados para essa nova economia. No entanto, para os leitores que buscam a soberania de seus corpos através do saber ancestral e do cultivo doméstico, o documento revela que o Estado ainda prefere a tutela à liberdade. A Institucionalização do Cuidado e a Exclusão do Indivíduo Vimos o setor industrial ser contemplado com a possibilidade de nomes comerciais e as farmácias magistrais conquistarem o direito de manipular o CBD isolado. Até mesmo o "Sandbox Regulatório" foi desenhado para arranjos produtivos associativos. Contudo, o usuário individual, aquele que detém o conhecimento tradicional de extração e o manejo da planta em seu qui...