Tá liberado prescrever flores?
É um fato concreto: as pessoas utilizam substâncias independentemente de políticas proibicionistas. A proibição, longe de extinguir o consumo, atua como um vetor de vulnerabilidade. Adultos com autonomia e responsáveis pelas próprias escolhas utilizam as mais diversas formas de estimular o próprio corpo, incluindo o uso da planta de forma inalada. Ao buscar o acesso em um mercado paralelo faccionado, os usuários são compulsoriamente expostos a riscos que transcendem a saúde biológica. O processo de aquisição, marcado pela clandestinidade e pela ausência de padronização, gera quadros profundos de medo e ansiedade. Essa insegurança é potencializada pela falta de controle sobre a qualidade e a concentração do que se consome, expondo o indivíduo a reações físicas imprevistas, como crises de taquicardia e pânico, que são reflexos diretos das imposições do proibicionismo.
Entre o Ritual Ancestral e a Pragmática da Sobrevivência: A Redução de Danos na Inalação de Substâncias
A história do cuidado com o corpo e a mente não começa em laboratórios contemporâneos, mas no sopro e na fumaça de civilizações que nos precederam. Quando falamos sobre o uso da planta de forma inalatória, estamos acessando a via de administração mais antiga da humanidade, um método que atravessa milênios de práticas tradicionais e saberes ancestrais de diversos povos ao redor do globo
Sob a perspectiva da redução de danos, precisamos encarar a realidade com honestidade intelectual e ética. Embora a inalação ainda não seja uma prescrição terapêutica formal na medicina convencional para a maioria das condições, as evidências científicas recentes trazem dados fundamentais para a transição para um uso mais saudável. A via inalatória possui uma característica única de autorregulação: por atingir o pico de concentração no sangue entre 6 e 10 minutos
Nossa abordagem não busca a neutralidade, mas a emancipação. Reconhecer a ancestralidade desse uso e os impactos psicossociais do proibicionismo é um ato político de resistência contra-colonial e anti-patriarcal. Trata-se de devolver ao sujeito a responsabilidade sobre seu próprio corpo, oferecendo informação de qualidade para que a escolha seja pautada na minimização de riscos e na preservação da vida, combatendo as estruturas de opressão que historicamente marginalizam esses saberes e impõem o pânico moral sobre a saúde.
Diante da clareza que a ciência nos traz sobre a redução de danos e o controle que o usuário pode exercer sobre sua própria prática, como você percebe o impacto de ter acesso a essas informações na sua jornada de autocuidado? Convido todos os leitores e apoiadores do nosso trabalho a compartilharem suas reflexões nos comentários.
Referências Bibliográficas (ABNT)
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