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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Cannabis no SUS: As Farmácias Vivas!

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  Existe uma oportunidade histórica batendo à nossa porta. Com as novas regras da Anvisa e mudanças em leis estratégicas, o Brasil pode finalmente permitir que o remédio à base de cannabis seja produzido por quem entende de plantio: o agricultor familiar. O segredo para isso acontecer de forma pública e gratuita atende pelo nome de Farmácias Vivas . As Farmácias Vivas são unidades que utilizam plantas medicinais para produzir e distribuir fitoterápicos para a população. Agora, imagine se a cannabis, em vez de ser importada a preços abusivos, fosse cultivada por associações locais e preparada dentro dessas unidades públicas. Isso não é apenas um sonho; é um caminho jurídico que já começou a ser desenhado. As Leis que Mudam o Jogo Para que isso vire realidade, usamos duas leis como ferramentas de defesa. A primeira é a Lei 11.326/2006 , que define quem é o agricultor familiar. A segunda, e mais importante agora, é a Lei 14.628/2023 , que reformulou o Programa de Aquisição de Alimento...

Por Que a RDC 660 se Tornou a Armadilha da Saúde Canábica no Brasil

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A paisagem regulatória brasileira para o uso de substâncias derivadas da Cannabis atravessa um momento de contradições profundas. De um lado, celebramos as conquistas históricas de 2026, materializadas no robusto pacote das RDCs 1.012 a 1.015, que finalmente estruturaram o cultivo nacional e a manipulação magistral sob um rigor farmacêutico exemplar. De outro, assistimos à manutenção de um anacronismo perigoso: a RDC 660/2022. O que outrora foi uma via de acesso urgente e humanitária, hoje se configura como um "puxadinho" normativo que fragiliza a segurança sanitária e perpetua uma lógica colonialista no mercado de saúde brasileiro. O Abismo de Rigor: Padrão Ouro vs. Escolha do Paciente A disparidade entre os regimes de controle é alarmante. A recém-atualizada normativa para o mercado interno, agora consolidada na RDC 1.015/26, exige das empresas nacionais e das farmácias de manipulação o cumprimento estrito das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Estamos falando de controle d...

Tá liberado prescrever flores?

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É um fato concreto: as pessoas utilizam substâncias independentemente de políticas proibicionistas. A proibição, longe de extinguir o consumo, atua como um vetor de vulnerabilidade. Adultos com autonomia e responsáveis pelas próprias escolhas utilizam as mais diversas formas de estimular o próprio corpo, incluindo o uso da planta de forma inalada. Ao buscar o acesso em um mercado paralelo faccionado, os usuários são compulsoriamente expostos a riscos que transcendem a saúde biológica. O processo de aquisição, marcado pela clandestinidade e pela ausência de padronização, gera quadros profundos de medo e ansiedade. Essa insegurança é potencializada pela falta de controle sobre a qualidade e a concentração do que se consome, expondo o indivíduo a reações físicas imprevistas, como crises de taquicardia e pânico, que são reflexos diretos das imposições do proibicionismo. Entre o Ritual Ancestral e a Pragmática da Sobrevivência: A Redução de Danos na Inalação de Substâncias A história do cui...